Sou uma prova viva que o meu pai é um estrupador

Uma mulher concebida em um estupro quer que seu pai seja levado à Justiça no Reino Unido. Vicky* diz que sua mãe tinha 13 anos quando um amigo da família, que tinha 30 anos, a estuprou.

Ela diz que seu nascimento é prova do crime e quer um teste de DNA para condenar seu pai biológico por estupro.

A polícia britânica afirma que a lei não reconhece Vicky como vítima, então a ação criminal contra o pai dela seria um “processo sem vítima” – um dos primeiros do tipo no Reino Unido.

Vicky nasceu em Birmingham e foi adotada aos sete meses, na década de 1970.

Aos 18 anos, ela começou a procurar por sua mãe biológica e descobriu, por meio de assistentes sociais e registros oficiais, que sua concepção foi resultado de um estupro.

“Minha mãe biológica tinha 13 anos – ainda estava na escola – e meu pai biológico era um amigo da família que estava na casa dos 30”, explica Vicky ao programa da BBC Victoria Derbyshire.

Segundo Vicky, os registros mostram que ela tinha ido trabalhar como babá na casa dele, e ele a estuprou.

“[Os registros] têm o nome dele e seu endereço, que a polícia, o serviço social e os profissionais de saúde conheciam, mas nada foi feito sobre o caso.”

“Fiquei com raiva e devastada por minha mãe biológica. Por mim.”

‘Prova viva’

Vicky conseguiu se encontrar com sua mãe biológica, em um momento que considerou “muito surreal”.

Então, anos depois, com casos de abuso sexual recebendo mais atenção no mundo, ela decidiu agir. Ela sempre havia achado errado que seu pai biológico não tivesse sido processado criminalmente.

“Foi quando eu pensei, ‘eu tenho prova de DNA, porque eu sou uma prova de DNA. Eu sou uma cena de crime ambulante. E está tudo escrito nos registros – com certeza as pessoas vão me levar a sério’.”

“Eu queria que ele respondesse pelo que fez. Eu queria Justiça para minha mãe, para mim. As consequências do que ele escolheu fazer moldaram minha vida toda.”

Sua mãe biológica, não querendo ter que reviver o crime em um processo e já tendo se decepcionado com a polícia uma vez, decidiu que não queria denunciar o estupro pessoalmente de novo – mas apoiou o desejo da filha de fazê-lo.

A ideia é invocar o chamado “processo sem vítima” por sexo com uma menor (a idade mínima para consentimento no Reino Unido é 16 anos), conhecido como estupro estatutário. A definição do crime contempla qualquer ato sexual entre um maior de idade e uma pessoa abaixo da idade mínima de consentimento, mesmo que o sexo não tenha sido forçado.

Vicky diz que, mesmo sem a mãe relatar o estupro, é possível processar o pai por estupro estatutário, já que ela pode usar seu DNA como prova e sua data de nascimento para comprovar as idades dos envolvidos.

“Processos sem vítima” podem ser usados em casos de violência doméstica e estupro, quando a vítima retira a queixa ou se nega a dar um testemunho, mas o processo é considerado de interesse público.

Uma vítima é definida pelo governo com uma pessoa que sofreu danos emocionais, físicos ou mentais como resultado de um crime.

Fonte: BBC News

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